REFLUXO GASTROESOFÁGICO - O que você precisa saber

Atualizado: Abr 1

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é um diagnóstico comum no atendimento médico ambulatorial (e muitas vezes nos serviços de emergência), ocorrendo em cerca de 10 a 20% dos adultos. Apesar de comum, muitos não sabem o que é essa patologia, como ela surge e o que pode ser feito para prevenção.

A DRGE ocorre devido a incompetência no esfíncter esofágico inferior, o que facilita a ascendência de suco gástrico que é mais ácido que o esôfago, podendo gerar inflamação local e até mesmo evoluir para câncer.

Alguns fatores podem contribuir para a incompetência do esfíncter esofágico inferior, muitos relacionados à hábitos de vida, podendo ser evitados. São eles: obesidade e ganho de peso, alimentos gordurosos, bebidas gasosas, bebidas com cafeína, bebidas alcoólicas, tabagismo e uso de alguns fármacos.

A queimação retroesternal ("no meio do tórax"; "atrás do peito") é o sintoma mais comum, podendo ocorrer associado à regurgitação do conteúdo gástrico para a boca. Tosse e roncos são sintomas comuns nos casos mais crônicos.

O diagnóstico da DRGE é clínico, mas em algumas situações podem ser necessários exames complementares, como a Endoscopia Digestiva Alta e a pHmetria de 24 horas.

O tratamento, na maioria dos casos, pode ser feito de forma empírica com medicações para inibir a produção do ácido presente no suco gástrico associado à mudanças do estilo de vida e adoção de hábitos saudáveis. Os exames ficam reservados para apresentações atípicas, populações de risco, sinais de alarme e em casos refratários ao tratamento proposto.

Algumas mudanças de hábitos são indicadas e fundamentais para o sucesso terapêutico, dentre elas estão a elevação da cabeceira da cama, deitar-se somente três horas após a última refeição, evitar os alimentos e bebidas que são fatores contribuintes para o desenvolvimento da doença (café, bebida alcoólica, chocolate, alimentos gordurosos...). O paciente que tem sobrepeso ou obesidade ou tenha apresentado ganho de peso recente deve ser orientado à perder peso.

Todos os pacientes devem ser avaliados por um(a) médico(a) para definição correta do diagnóstico e avaliação dos sinais de alarme e de risco. Para casos graves e crônicos, outras medidas podem ser adotadas, inclusive cirúrgicas. Além disso, é fundamental que a população saiba da existência de complicações potencialmente graves à longo prazo, inclusive com risco de desenvolvimento de câncer e de hemorragias.

Dr. Davi Beber Guimarães

Médico de Família e Comunidade

Fundador e RT Medically - Saúde da Família

Fundador Jardim Home Sênior