NEM TODA TONTURA É LABIRINTITE - O conhecimento leva ao diagnóstico correto!


A queixa de tontura é algo recorrente na população adulta, em especial nos idosos. Considerada a terceira queixa mais frequente no consultório médico, na maioria das vezes é subestimada e mal conduzida, gerando um importante impacto na qualidade de vida.

Diversas são as doenças que podem manifestar tontura, porém a Vertigem Postural Paroxística Benigna é a mais comum entre elas. É ocasionada por deposição de pequenos cristais de carbonato de cálcio (otólitos ou estatocônias), nos canais semicirculares do labirinto, sendo mais comum no canal semicircular posterior.

A queixa típica é de tontura de pequena duração, exacerbada com a lateralização da cabeça. Por este motivo, os pacientes tendem a manifestar os sintomas à noite, após se deitarem e mudarem a posição de dormir.

Apesar do diagnóstico ser simples, é comum o paciente passar por várias consultas médicas, entre consultas no pronto atendimento e consultas ambulatoriais, até chegar ao diagnóstico correto. O diagnóstico é realizado no próprio consultório, através de uma história clínica minuciosa e testes específicos que são realizados durante o exame físico.

Depois de estabelecido o diagnóstico, no próprio exame físico pode ser iniciado o tratamento com manobras que irão permitir o reposicionamento dos cristais no interior do labirinto.

Vale lembrar, que nesta doença os medicamentos anti-vertiginosos convencionais não costumam surtir efeito, daí a importância do diagnóstico correto, para que seja estabelecido o tratamento mais adequado e menos prejudicial.

Outra causa bastante frequente de vertigem é a hipotensão postural ou ortostática. Pode ser definida como uma queda acentuada da pressão arterial, quando o indivíduo se move da posição deitada para a posição em pé. Por definição, ocorre queda de 20mmHg na pressão arterial sistólica e/ou 10mmHg na pressão arterial diastólica. A queda pressórica diminui o fluxo sanguíneo cerebral e pode provocar sintomas como tontura, náuseas, alterações visuais e até desmaios.

A hipotensão postural pode ser multifatorial e normalmente está relacionada à hipovolemia, função cardíaca deprimida, uso de medicamentos e idade avançada. Outras causas mais importantes e relativamente frequentes são disfunções autonômicas primárias, como ocorre na Doença de Parkinson, por exemplo, além de polineuropatias periféricas, como na Diabetes Mellitus.

O primeiro passo na conduta da hipotensão ortostática é uma revisão detalhada das medicações em uso pelo paciente, seguido de orientações não-farmacológicas como: levantar devagar; diminuir ingesta de álcool; realizar atividade física regularmente; aumentar a ingesta hídrica; usar meias compressivas.

No caso de falha dessas primeiras medidas terapêuticas, existem algumas alternativas farmacológicas que podem ser utilizadas, porém devem ser acompanhadas de perto pelo médico, devido aos potenciais efeitos colaterais, principalmente nos idosos.

Dr. Leonardo Teles

Médico - Saúde do Idoso